TESEU CONTRA O MINOTAURO -
— Viemos aqui para morrer, não para
sermos desonrados!
— Quem é você, que ousa me fazer advertências?
— gritou Minos. — Está esquecendo
que sou rei da poderosa Creta? E se isso não
bastar, fique sabendo que sou filho de Zeus,
pois parece que você não sabe!
Em seguida olhou o céu, ergueu os braços
para o alto e gritou:
— Zeus, meu pai, por favor, mostre quem
eu sou!
E então, imediatamente, um raio brilhou
no céu sem nuvens, sinal de que Zeus reconhecia
seu filho.
Teseu ficou surpreso, mas nem naquela
hora perdeu sua coragem:
— Se isso tem tanta importância — disse — então eu devo dizer que também sou filho de Possêidon!
Minos não acreditou nele:
— Se você é filho de Possêidon, então poderá me trazer isto aqui de volta!
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Gianni Dagli Orti/Corbios
Português: Linguagens — William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães
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Gianni Dagli Orti/Corbios
E tirou seu anel, lançando-o em seguida, com força,
bem longe, no meio do mar profundo.
Imediatamente, Teseu, dando um mergulho,
desapareceu nas águas profundas. Passou-se
um bom tempo sem que ele reaparecesse. Todos
diziam que ele devia ter se afogado, e Minos
acrescentou:
— Que pena! O Minotauro vai comer um a
menos!
Porém Ariadne, a filha de Minos, que também
estava entre os presentes, encobriu o rosto e
secretamente enxugou suas lágrimas. Prestara atenção em Teseu desde o primeiro momento, e a ousadia
dele a havia comovido. De imediato, um forte amor se aninhou dentro dela enquanto uma flecha de
Eros, o filho alado da deusa Afrodite, trespassava-lhe o coração. Dessa maneira, agora estava sofrendo
com a dor pelo desaparecimento do brilhante e valoroso jovem.
Teseu, contudo, não estava perdido. Assim que mergulhou na água, golfinhos o apanharam e o
conduziram sem demora até o palácio do deus do mar, Possêidon, o Abalador da Terra, irmão de Zeus
e nada inferior em força ao deus que detém os raios em suas mãos.
Em um trono majestoso, que parecia uma imensa concha, sentava-se o deus que governava as
ondas. Ao seu lado estava a belíssima Anfitrite, esposa do eminente deus. Perto deles encontravam-se
Triton e muitas outras divindades marinhas.
Possêidon recebeu Teseu com alegria e, assim que ouviu o porquê de ele ter descido ao seu
reino aquático, ordenou a Triton que corresse para trazer o anel. O deus marinho não demorou a
voltar, juntamente com uma multidão de Nereidas. Uma delas trazia o anel e o entregou a Teseu.
Imediatamente então, Anfitrite colocou sobre os cabelos dele uma coroa de ouro e Possêidon, que
percebera que Teseu não devia se demorar mais, ordenou a Triton e às Nereidas que o conduzissem
à praia.
Teseu saiu do mar no momento em que todos se preparavam para
ir embora. De repente, alguém gritou:
— Teseu! Teseu voltou!
Ao vê-lo, Minos não ousava crer em seus próprios olhos! Além
de Teseu não ter se afogado, usava ainda uma coroa na cabeça,
toda de folhas de ouro! Mas o rei de Creta ficou ainda mais surpreso
quando se aproximou e recebeu dele o anel que havia lançado
ao mar. Percebera agora que Teseu não era um mortal comum,
e teve medo dele. Por isso, disse ao seu séquito:
— Esse deve ser o primeiro a ser comido pelo Minotauro!
Escutando as palavras de seu pai, Ariadne ficou mortificada.
Tinha pena de todos os rapazes e moças, mas ouvir tais palavras
sobre Teseu era como se um punhal lhe atravessasse o coração.
[...]
(Menelaos Stephanides. Teseu, Perseu e outros mitos. São Paulo: Odysseus,
2000. p. 97-100.)
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