quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
1- Escreva D para o sentido denotativo e C para o conotativo.
a) O burro auxilia o homem.( )
b) Que garoto burro!( )
c) A rosa desabrochou.( )
d) Ela é uma rosa de bonita.( )
2- Sublinhe as expressões que indicam metáfora.
a) Ele tem nervos de aço.
b) Ela tem lábios de rosa.
c) Tinha a tempestade na alma.
d) Dominava-a o fogo da paixão.
3- Assinale a frase em que há metáforas.
a) O sol nos aquece com seu calor. ( )
b) O calor da discussão, não media palavras. ( )
c) Seu olhar era doce e meigo. ( )
d) Essa fruta é doce? ( )
e) Dormia em cima de uma pedra fria. ( )
f) Era uma pessoa fria e calculista. ( )
4 - Explique as metonímias das frases.
a) Os aviões semeavam a morte.
b) Adoro ler Machado de Assis.
c) O Brasil vibrou com a vitória da seleção.
d) O fazendeiro tinha 700 cabeças de gado.
5 - Relacione as orações com os tipos de metonímia.
a) A França produz bons queijos.
b) Leio Castro Alves.
c) Na Bahia, provei um prato gostoso.
d) O rei perdeu o trono (= o poder).
( ) O autor pela obra.
( ) O lugar pelos habitantes.
( ) O sinal pela coisa significada.
( ) O continente pelo conteúdo.
Figuras de Linguagem
Paradoxo & Antítese
Paradoxo é a aproximação de palavras contrárias.
- Ex: Já estou cheio de me sentir vazio.
Antítese consiste na exposição de palavras contrárias.
- Ex: Ele não odeia, ama.
Na explicação do professor Paulo Hernandes fica evidente a diferença entre estas duas figuras de linguagem frequentemente confundidas:
- "Como podemos ver, na antítese, apresentam-se idéias contrárias em oposição. No paradoxo, as idéias aparentam ser contraditórias, mas podem ter explicação que transcende os limites da expressão verbal."
Catacrese
É a figura de linguagem que consiste na utilização de uma palavra ou expressão que não descreve com exatidão o que se quer expressar, mas é adotada por não haver outra palavra apropriada - ou a palavra apropriada não ser de uso comum.
- Ex: Não deixe de colocar dois dentes de alho na comida.
Comparação
Como o próprio nome diz essa figura de linguagem é uma comparação feita entre dois termos com o uso de um conectivo.
- Ex: O Amor queima como o fogo
Metáfora
É uma comparação feita entre dois termos sem o uso de um conectivo.
- Ex: Eu sou um poço de dor e estupidez.
Disfemismo ou Cacofemismo
É uma figura de estilo (figura de linguagem) que consiste em empregar deliberadamente termos ou expressões depreciativas, sarcásticas ou chulas para fazer referência a um determinado tema, coisa ou pessoa, opondo-se assim, ao eufemismo. Expressões disfêmicas são freqüentemente usadas para criar situações de humor.
- Ex: Comer capim pela raiz
Hipérbole ou Auxese
É a figura de linguagem que consiste no exagero.
- Ex: "Rios te correrão dos olhos, se chorares!"
Metonímia ou Transnominação
É a figura de linguagem que consiste no emprego de um termo por outro, dada a relação de semelhança ou a possibilidade de associação entre eles. Definição básica: Figura retórica que consiste no emprego de uma palavra por outra que a recorda.
- Ex: Lemos Machado de Assis por interesse. (Ninguém, na verdade, lê o autor, mas as obras dele em geral.)
Personificação ou Prosopopéia (no Brasil, apenas Prosopopéia)
É uma figura de estilo que consiste em atribuir a objetos inanimados ou seres irracionais sentimentos ou ações próprias dos seres humanos.
- Ex: O Sol amanheceu triste e escondido.
Perífrase:
Consiste no emprego de palavras para indicar o ser através de algumas de suas características ou qualidades.
- Ex: Ele é o rei dos animais. (Leão)
- Ex: Visitamos a cidade-luz. (Paris)
Ironia
Consiste em apresenta um termo em sentido oposto.
- Ex: Meu irmão é um santinho(malcriado).
Eufemismo
Consiste em suavizar um contexto.
- Ex: Você faltou com a verdade (Em lugar de mentiu).
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Interpretação do texto “Pela Internet” de Gilberto Gil
1.O eu lírico fala de seu desejo de criar o seu website, fazer sua home Page, entrar na rede. Responda:
a) Qual é o principal objetivo do eu lírico?
b) Cite três ações que ele pretende realizar para atingir esse objetivo.
2. Na construção da letra da música foram empregados vários recursos da linguagem poética. Copie duas palavras ou expressões que exemplifiquem os seguintes recursos:
a) rima
b) jogos sonoros
• aliteração (repetição de consoantes);
• assonância (repetição de vogais)
c) metáfora
Interpretação do texto “A aranha” de Orígenes Lessa
1.Numa história, uma personagem quer convencer o narrador, que também é personagem, a escrever um conto sobre um acontecido.
a) Quem é a personagem que quer convencer o narrador a escrever o conto?
b) Onde acontece a conversa entre eles?
c) Que motivo o narrador alega para não ouvir o caso?
d) O que acontece que possibilita à personagem contar sua história?
e) Qual é a história que a personagem insiste em contar para virar um conto?
2. A outra história dentro do conto é aquela que Enéias sugere que se transforme em conto.
a) Quem são as personagem principais dessa outra história?
b) Quais as características do Melo apontadas pelo contador?
c) Onde se passa essa história?
d) Como é caracterizado o lugar?
e) Quando se passam as ações nessa outra história?
f) O que acontece nessa história?
Exercícios – Tipos de Sujeito
1. Classifique o sujeito das orações: simples, composto, oculto ou indeterminado.
a) Não haveremos de perder essa luta!
b) Hei de esperar a sua volta.
c) Come-se bem naquele restaurante.
d) Precisa-se de balconistas nessa loja.
e) Todos nós o ajudaremos.
f) Estava o padre sozinho na igreja.
g) Trouxeram este presente para você.
h) Nada lhe direi sobre isso.
i) O dia amanheceu nublado.
2. Classifique o sujeito: determinado – simples, composto, oculto - ou indeterminado.
a) Algum dia voltarei aqui.
b) Come-se bem aqui.
c) Alguém pegou a minha caneta.
d) Deixaram uma bolsa na sala.
e) Estão gritando teu nome lá fora.
f) Necessita-se de pessoas competentes aqui.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Fônemas e Letras
Fonema é a unidade mínima sonora que é capaz de estabelecer diferenciação entre um vocábulo e outro.
Ex: bola / bota.
Como se vê a diferenciação entre as duas palavras acima é marcada pelos fonemas /l/ e/t/.
Fonemas e letras apresentam conceitos distintos:
- fonema é a representação sonora;
- letra é a representação gráfica do fonema;
- sílaba é um conjunto de fonemas transmitidos num só impulso.
Numa palavra, nem sempre há o mesmo número de letras e fonemas.
A palavra táxi, por exemplo, possui:
- quatro letras (t-á-x-i)
- cinco fonemas (t-á-k-s-i)
A palavra hora possui:
- quatro letras (h-o-r-a)
- três fonemas (o-r-a)
Na palavra canta temos:
-cinco letras (c-a-n-t-a)
-quatro fonemas (c-ã-t-a)
Tipos de Sujeitos
O sujeito tem a característica de concordar com o verbo, salvo raríssimas exceções.
Vejamos agora quais os tipos de sujeito existentes e como eles são caracterizados para que possamos identificá-los.
Sujeito Simples: possui apenas um núcleo e este vem exposto.
Exemplos:
- Deus é perfeito!
- A cegueira lhe torturava os últimos dias de vida.
- Pastavam vacas brancas e malhadas.
Sujeito Composto: possui dois ou mais núcleos que também vêm expressos na oração.
Exemplos:
- As vacas brancas e os touros pretos pastavam.
- A cegueira e a pobreza lhe torturavam os últimos dias de vida.
- Fome e desidratação são agravantes das doenças daquele povo.
Sujeito Oculto: também chamado de sujeito elíptico ou desinencial, é determinado pela desinência verbal e não aparece explícito na frase. Dá-se por isso o nome de sujeito implícito.
Exemplos:
- Estamos sempre alertas para com os aumentos abusivos de preços. (sujeito: nós)
- Quero que meus pais cheguem de viagem o mais rápido possível. (sujeito: eu)
- Os pais terminaram a reunião. Foram embora logo em seguida. (sujeito: os pais)
Sujeito Indeterminado: Este tipo de sujeito não aparece explícito na oração por ser impossível determiná-lo, apesar disso, sabe-se que existe um agente ou experienciador da ação verbal.
Exemplos:
1- verbo na 3ª pessoa do plural
- Dizem que a família está falindo. (alguém diz, mas não se sabe quem)
- Disseram que morreu do coração.
2- verbo na 3ª pessoa do singular + se, índice de indeterminação do sujeito
- Precisa-se de mão de obra especializada. (não se pode determinar quem precisa)
Sujeito inexistente: também chamado de oração sem sujeito, é designado por verbos que não correspondem a uma ação, como fenômenos da natureza, entre outros.
Exemplos:
1- Verbos indicando Fenômeno da Natureza
- Choveu na Argentina e fez sol no Brasil.
2- verbo haver no sentido de existir ou ocorrer
- Houve um grave acidente na avenida principal.
- Há pessoas que não valorizam a vida.
3- verbo fazer indicando tempo ou clima
- Faz meses que não a vejo.
- Faz sempre frio nessa região do estado.
Oração Subordinada Substantiva Subjetiva: quando o sujeito é uma oração. Pode ser desenvolvida ou reduzida. (veja esse assunto em: Orações Subordinadas Substantivas)
- Fazer promessas é muito comprometedor. (sujeito oracional: fazer promessas)
Conjunções Coordenativas
A conjunção é a palavra que liga duas orações ou termos de mesma função na oração. Quando a conjunção exerce seu papel de ligar as orações, estabelece entre elas uma relação de coordenação ou subordinação.
As orações coordenadas são independentes entre si, ou seja, possuem significado singular, mesmo que ligadas pela conjunção. Veja o exemplo:
A lua surgiu e as estrelas inundaram o céu de luz.
As duas orações estão ligadas pela conjunção e e não têm relação de dependência entre si. Então, a primeira oração (A lua surgiu) tem sentido completo e independe da segunda (As estrelas inundaram o céu de luz) para tê-lo e assim também é a segunda em relação à primeira.
Duas ou mais orações que mantêm independência entre si chamam-se coordenadas, e conseqüentemente, a conjunção que liga tais orações é denominada conjunção coordenativa.
A conjunção coordenativa também ocorre quando duas palavras são ligadas na mesma oração. Veja o exemplo:
Ele venderá brinquedos ou revistas.
Observe que a conjunção ou está ligando duas palavras: brinquedos e revistas, as quais exercem o mesmo papel de objeto direto na oração.
Podemos classificar as conjunções coordenativas em:
• aditivas - exprimem idéia de adição, soma: e, não só, mas também, nem (= e não) etc.;
Exemplos: Fui à escola e joguei bola.
Não fui à escola nem joguei bola.
• adversativas – exprime idéia de contraste, oposição: mas, porém, contudo, no entanto, entretanto, etc.;
Exemplos: Fui à escola, porém não levei meu caderno.
Fui à escola, no entanto, não prestei atenção nas explicações.
• alternativas – exprimem idéia de alternância ou exclusão: ou, ou...ou, ora...ora, etc.;
Exemplos: Ou estudo para a prova, ou tiro nota baixa.
Ora como fastfood, ora me alimento bem.
• conclusivas – exprimem idéia de conclusão: pois, logo, portanto, por isso, etc.;
Exemplos: Pratiquei exercícios físicos, logo me senti muito melhor.
Aquele medicamento é tarja preta, logo, deve ser vendido somente com receita.
• explicativas – exprimem idéia de explicação: porque, que, etc..
Exemplos: Ele saiu da escola, pois não veio mais.
Não quero mais comer, porque estou satisfeito.
Por Sabrina
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Criar meu web site
Fazer minha home-page
Com quantos gigabytes
Se faz uma jangada
Um barco que veleja ...(2x)
Que veleje nesse informar
Que aproveite a vazante da infomaré
Que leve um oriki do meu orixá
Ao porto de um disquete de um micro em Taipé
Um barco que veleje nesse infomar
Que aproveite a vazante da infomaré
Que leve meu e-mail até Calcutá
Depois de um hot-link
Num site de Helsinque
Para abastecer
Eu quero entrar na rede
Promover um debate
Juntar via Internet
Um grupo de tietes de Connecticut
De Connecticut de acessar
O chefe da Mac Milícia de Milão
Um hacker mafioso acaba de soltar
Um vírus para atacar os programas no Japão
Eu quero entrar na rede para contatar
Os lares do Nepal,os bares do Gabão
Que o chefe da polícia carioca avisa pelo celular
Que lá na praça Onze tem um videopôquer para se jogar...
A ARANHA
- Quer assunto para um conto? - perguntou o Enéias, cercando-me no corredor.
Sorri.
- Não, obrigado.
- Mas é assunto ótimo, verdadeiro, vivido, acontecido, interessantíssimo!
- Não, não é preciso... Fica para outra vez...
- Você está com pressa?
- Muita!
- Bem, de outra vez será. Dá um conto estupendo. E com esta vantagem: aconteceu... É só florear um pouco.
- Está bem... Então... até logo... Tenho que apanhar o elevador...
Quando me despedia, surge um terceiro. Prendendo-me à prosa. Desmoralizando-me a pressa.
- Então, que há de novo?
- Estávamos batendo papo... Eu estava cedendo, de graça, um assunto notável para um conto. Tão bom, que até comecei a esboçá-lo, há tempos. Mas conto não é gênero meu - continuou o Enéias, os olhos muito azuis transbordando de generosidade.
- Sobre o quê? - perguntou o outro.
Eu estava frio. Não havia remédio. Tinha que ouvir, mais uma vez, o assunto.
- Um caso passado. Conheceu o Melo, que foi dono de uma grande torrefação aqui em São Paulo, e tinha uma ou várias fazendas pelo interior?
Pergunta dirigida a mim. Era mais fácil concordar:
- Conheci.
- Pois olhe. Foi com o Melo. Quem contou foi ele. Esse é o maior interesse do fato. Coisa vivida. Batatal. Sem literatura. É só utilizar o material, e acrescentar uns floreios, para encher, ou para dar mais efeito. Eu ouvi a história, dele mesmo, certa noite, em casa do velho. Não sei se você sabe que o Melo é um violinista famoso. Um artista. Tenho conhecido poucos violões tão bem tocados quanto o dele. Só que ele não é profissional nem fez nunca muita questão de aparecer. Deve ter tocado em público poucas vezes. Uma ou duas, até, se não me engano, no Municipal. Mas o homem é um colosso. O filho está aí, confirmando o sangue... fazendo sucesso.
- Bem... eu vou indo... Tenho encontro marcado. Fica a história para outra ocasião. Não leve a mal. Você sabe: eu sou escravo.
Ora essa! Claro! Até logo.
Palmadinha no ombro dele. Palmadinha no meu. Chamei o elevador.
- É um caso único no gênero - continuou Enéias para o companheiro. - O Melo tinha uma fazenda, creio que na Alta Paulista. Passava lá enormes temporadas, sozinho, num casarão desolador. Era um verdadeiro deserto. E como era natural, distração dele era o violão velho de guerra. Hora livre, pinho no braço, dedada nas cordas. No fundo, um romântico, um sentimental. O pinho dele soluça mesmo. Geme de doer. Corta a alma. É contagiante, envolvente, de machucar. Ouvi-o tocar várias vezes. A Madrugada que Passou, O Luar do Sertão, e tudo quanto é modinha sentida que há por aí tira até lágrima da gente, quando o Melo toca...
- Completo! - gritou o ascensorista, de dentro do elevador, que não parou, carregado com gente que vinha do décimo andar, acotovelando-se de fome.
Apertei três ou quatro vezes a campainha, para assegurar o meu direito à viagem seguinte.
Enéias continuava.
- E não é só modinha... Os clássicos. Música no duro... Ele tira Chopin e até Beethoven. A Tarantela de Liszt é qualquer coisa, interpretada pelo Melo... Pois bem... (Isto foi contado por ele, hein! Não estou inventando. Eu passo a coisa como recebi.) Uma noite, sozinho na sala de jantar, Melo puxou o violão, meio triste, e começou a tocar. Tocou sei lá o quê. Qualquer coisa. Sei que era uma toada melancólica. Acho que havia luar, ele não disse. Mas quem fizer o conto pode pôr luar. Carregando, mesmo. Sempre dá mais efeito. Dá ambiente.
O elevador abriu-se. Quis entrar.
- Sobe!
Recuei.
- Você sabe: nessa história de literatura, o que dá vida é o enchimento, a paisagem. Um tostão de lua, duzentão de palmeira, quatrocentos de vento sibilando na copa das árvores, é barato e agrada sempre... De modo que quem fizer o conto deve botar um pouco de tudo isso. Eu dou só o esqueleto. Quem quiser que aproveite... O Melo estava tocando. Luz, isso ele contou, fraca. Produzida na própria fazenda. Você conhece iluminação de motor. Pisca-pisca. Luz alaranjada.
- A luz alaranjada não é do motor, é do...
- Bem, isso não vem ao caso... Luz vagabunda. Fraquinha...
- Desce!
Dois sujeitos, que esperavam também, precipitaram-se para o elevador.
- Completo!
- O Melo estava tocando... Inteiramente longe da vida. De repente, olhou para o chão. Poucos passos adiante, enorme, cabeluda, uma aranha caranguejeira. Ele sentiu um arrepio. Era um bicho horrível. Parou o violão para dar um golpe na bruta. Mal parou, porém, a aranha, com uma rapidez incrível, fugiu, penetrando numa frincha da parede, entre o rodapé e o soalho. O Melo ficou frio de horror. Nunca tinha visto aranha tão grande, tão monstruosa. Encostou o violão. Procurou um pau, para maior garantia, e ficou esperando. Nada. A bicha não saía. Armou-se de coragem. Aproximou-se da parede, meio de lado, começou a bater na entrada da fresta, para ver se atraía a bichona. Era preciso matá-la. Mas a danada era sabida. Não saiu. Esperou ainda uns quinze minutos. Como não vinha mesmo, voltou para a rede, pôs-se a tocar outra vez a mesma toada triste. Não demorou, a pernona cabeluda da aranha apontou na frincha...
O elevador abriu-se com violência, despejando três ou quatro passageiros, fechou-se outra vez, subiu.
O Enéias continuava.
- Apareceu a pernona, a bruta foi chegando. Veio vindo. O Melo parou o violão, para novo golpe. Mas a aranha, depois de uma ligeira hesitação, antes que o homem se aproximasse, afundou outra vez no buraco. "Ora essa!" Ele ficou intrigado. Esperou mais um pouco, recomeçou a tocar. E quatro ou cinco minutos depois, a cena se repetiu. Timidamente, devargazinho, a aranha apontou, foi saindo da fresta. Avançava lentamente, como fascinada. Apesar de enorme e cabeluda, tinha um ar pacífico, familiar. O Melo teve uma idéia. "Será por causa da música?" Parou, espreitou. A aranha avançaria uns dois palmos...
- Desce!
- Eu vou na outra viagem.
- Dito e feito... - continuou Enéias. - A bicha ficou titubeante, como tonta. Depois, moveu-se lentamente, indo se esconder outra vez. Quando ele recomeçou a tocar, já foi com intuito de experiência. Para ver se ela voltava. E voltou. No duro. Três ou quatro vezes a cena se repetiu. A aranha vinha, a aranha voltava. Três ou mais vezes. Até que ele resolveu ir dormir, não sei com que estranha coragem, porque um sujeito saber que tem dentro de casa um bicho desses, venenoso e agressivo, sem procurar liquidá-lo, é preciso ter sangue! No dia seguinte, passou o dia inteiro excitadíssimo. Isto sim, dava um capítulo formidável. Naquela angústia, naquela preocupação. "Será que a aranha volta? Não seria tudo pura coincidência?" Ele estava ocupadíssimo com a colheita. Só à noite voltaria para o casarão da fazenda. Teve que almoçar com os colonos, no cafezal. Andou a cavalo o dia inteiro. E sempre pensando na aranha. O sujeito que fizer o conto pode tecer uma porção de coisas em torno dessa expectativa. À noite, quando se viu livre, voltou para casa. Jantou às pressas. Foi correndo buscar o violão. Estava nervoso. "Será que a bicha vem?" Nem por sombras pensou no perigo que havia ter em casa um animal daqueles. Queria saber se "ela" voltava. Começou a tocar como quem se apresenta em público pela primeira vez. Coração batendo. Tocou. O olho na fresta. Qual não foi a alegria dele quando, quinze ou vinte minutos depois, como um viajante que avista terra, depois de uma longa viagem, percebeu que era ela... o pernão cabeludo, o vulto escuro no canto mal iluminado.
- (Desce!
- Sobe!
- Desce!
- Sobe!)
- A aranha surgiu de todo. O mesmo jeito estonteado, hesitante, o mesmo ar arrastado. Parou a meia distância. Estava escutando. Evidentemente, estava. Aí, ele quis completar a experiência. Deixou de tocar. E como na véspera, quando o silêncio se prolongou, a caranguejeira começou a se mover pouco a pouco, como quem se desencanta, para se esconder novamente. É escusado dizer que a cena se repetiu nesse mesmo ritmo uma porção de vezes. E para encurtar a história, a aranha ficou famosa. O Melo passou o caso adiante. Começou a vir gente da vizinhança, para ver a aranha amiga da música. Todas as noites era aquela romaria. Amigos, empregados, o administrador, gente da cidade, todos queriam conhecer a cabeluda fã de O Luar do Sertão, e de outras modinhas. E até de música boa. Chopin... Eu não sei qual é... Mas havia um noturno de Chopin que era infalível. Mesmo depois de acabado, ele ainda ficava como que amolentada, ouvindo ainda. E tinha uma predileção especial pela Gavota, ela surgia. O curioso é que o Melo tocava todas as noites. Havia ocasiões em que custava a aparecer. Mas era só tocar a Gavota, ela surgia. O curioso é que o Melo se tomou de amores pela aranha. Ficou sendo a distração, a companheira e Ela, com E grande. Chegou até a pôr-lhe nome, não me lembro qual. E ele conta que, desde então, não sentiu mais a solidão incrível da fazenda. Os dois se compreendiam, se irmanavam. Ele sentia quais as músicas que mais tocavam a sensibilidade "dela"... E insistia, nessas, para agradar a inesperada companheira de noitadas. Chegou mesmo a dizer que, após dois ou três meses daquela comunhão - o caso já não despertava interesse, os amigos já haviam desertado - ele começava a pensar, com pena, que tinha de voltar para São Paulo. Como ficaria a coitada? Que seria dela, sem o seu violão? Como abandonar uma companheira tão fiel? Sim, porque trazê-la para São Paulo, isso não seria fácil!... Pois bem, uma noite, apareceu um camarada de fora, que não sabia da história. Creio que um viajante, um representante qualquer de uma casa comissária de Santos. Hospedou-se com ele. Cheio de prosa, de novidades. Os dois ficaram conversando longamente, inesperada palestra de cidade naqueles fundos de sertão. Negócios, safras, cotações, mexericos. Às tantas, esquecido até da velha amiga, o Melo tomou do violão, velho hábito que era um prolongamento de sua vida. Começou a tocar, distraído. Não se lembrou de avisar o amigo. A aranha quotidiana apareceu. O amigo escutava. De repente, seus olhos a viram. Arrepiou-se de espanto. E, num salto violento, sem perceber o grito desesperado com que o procurava deter o hospedeiro, caiu sobre a aranha, esmagando-a com o sapatão cheio de lama. O Melo soltou um grito de dor. O rapaz olhou-o. Sem compreender, comentou:
- Que perigo, hein?
O outro não respondeu logo. Estava pálido, numa angústia mortal nos olhos.
- E justamente quando eu tocava a Gavota de Tárrega, a que ela preferia, coitadinha...
- Mas o que há? Eu não compreendo...
E vocês não imaginam o desapontamento, a humilhação com que ele ouviu toda essa história que eu contei agora...
- Desce!
Desci.